“O pingo do i”

Discorde, é de graça e não te causa irritação.

5

de
junho

Um xodó pra mim, do meu jeito assim, que alegre o meu viver!

EI AMIGO! EU QUERO TE CONTAR UMA COISA: Eu descobri muitas mulheres, cada dia querem um tipo de homem diferente, e que muitas das variantes se relacionam a dinheiro. Eu, tô nessa, mas nem tanto.

Eu quero um namorado magro ou gordo, “loiro ou moreno, careca, cabeludo, rei, ladrão, polícia ou capitão” mas que seja barbudinho! Pelo menos nos finais de semana!

 

 

Tenha óculos com hastes finas.

 

E tenha duas coisas físicas que chamem atenção. Duas coisa só. Sei lá, um olho claro, uma pintinha perto da boca, cilios grandes, barriga lisa, bochechas coradas. Um desses detalhes e uma barbinha rala. Dessas que crescem rápido. Cabelos encaracolados, unhas limpas que seja, mas a barbinha falhando é fundamental. Um com essa aparência já me satisfaz.

 

 

O fundamental é que ele seja inteligente. Saiba um pouco sobre Nietzsche, Descartes, ou algum outro desses filósofos da onda cutl, ou menos clichê: baleias, promamação de nano chips, funcionamento do carburador de um carro, ou do relevo da parte norte da Namíbia. E que esteja disposto a me ensinar tudo sobre. Tenha paciência comigo e queira dividir alguma coisa!

 

 

 

 

Entende que o que eu quero é que ele possa acrescentar um pouco e tenha total disposição de me lapidar.

Na verdade trocar, porque eu tenho o que acrescentar a ele também. Vou trocar ideias, vou ensina-lo a sonhar do jeito que eu sonho, e que é o melhor jeito. Eu quero um namorado que abra mão da TV, pelo menos às vezes, pra se deitar comigo e ler partes de um livro pra gente.

Quando for a hora de dizer em amor, pois que diga uma vez só, as outras estarão implícitas nos sorrisos que eu vou estimular. Eu sou muito divertida!

 

 

 

E enquanto estivermos deitados, na noite do livro pra gente,  eu vou querer que ele pergunte se eu estou com dor de cabeça antes de começar a tirar minha roupa, olhando diretamente para meus olhos, tanto na pergunta, quanto durante a ação que a prosseguirá. Ele não vai se arrepender!

 

 

 

Ele não vai se arrepender também de me mandar uma mensagem de madrugada e não vai se surpreender se a resposta for instantênea, ao vivo , na chuva, ou no frio. Vai me chamar pra entrar, me fazer um chocolate quente sorrindo. Vai ouvir o que precisa ouvir. E numa dessas noites, faremos planos. 

Vamos dividir um ensino superior. Vamos completar nossos futuros.

 

 

 

Eu  quero alguém que seja eu…e dessa forma conheça meus defeitos. Não se importe em corrigí-los. No mínimo duas vezes. Uma em mim outra nele. Paciência! É logico amigo… ele vai reclamar de ter que repetir várias vezes que eu falo muito quando bebo,  que eu bebo muito independente de falar, que eu reclamo muito, e eu fico triste por não estudar o suficiente e sempre coloco a culpa no cotidiano, mas eu sei, no fundo que isso é tudo falta de força de vontade minha. Ele vai brigar comigo por alguma dessas situações.

 

 

 

 

Mas vai observar, numa outra ocasião, que os meus defeitos, são iguais os dele. Mais uma vez, paciência. Se não houver, manda uma mensagem de madrugada. Vai chover e eu vou aparecer pra resolver tudo com um chocolate quentinho. 

 

 

 

Ele precisa sonhar.

Ele precisa escrever. E perdoar meus erros de ortografia. Rir comigo deles.

Ele pode acordar de mau-humor, desde que não tenha dormido ao meu lado.

Ele pode ter gastrite, sinusite, artrose, escoliose, trombose, cifose, epilepsia, cárie, estrabismo leve, pontas duplas no cabelo. Tanto faz.

Ele precisa ter sonhos e disposição pra aprender a sonhar como eu; e precisar ter uma barbinha rala pra eu poder lixar minhas unhas.

5

de
junho

Fragmentos…

“Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta pouco maior que ele, e que tinha necessidade de um amigo…” Dá-me tristeza narrar essas lembranças! Faz já seis anos que meu amigo se foi…Se tento descrevê-lo aqui, é justamente porque não o quero esquecer. É triste esquecer um amigo. Nem todo o mundo tem amigo. E eu corro o risco de ficar como as pessoas grandes, que só se interessam por números. Experimentarei, é claro, fazer os retratos mais parecidos que puder. Mas não tenho muita esperança de conseguir. Engano-me também no tamanho. Ora o principezinho está muito grande, ora pequeno demais. Hesito também quanto à cor do seu traje. Vou arriscando então, aqui e ali. Enganar-me-ei provavelmente em detalhes dos mais importantes. Mas é preciso desculpar. Meu amigo nunca dava explicações. Julgava-me talvez semelhante a ele. Mas, infelizmente, não sei ver carneiro através de caixa. Sou um pouco como as pessoas grandes. Acho que envelheci.
Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: “Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!” e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo.
E se eu, por minha vez, conheço uma flor única no mundo, que só existe no meu planeta, e que um belo dia um carneirinho pode liquidar num só golpe, sem avaliar o que faz, - isto não tem importância?! Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: “Minha flor está lá, nalgum lugar…”
“Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava… Não devia jamais ter fugido. Devia ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar.”

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