9
de
março
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Eu senti medo. Não pelos animais na pista, e nem pela falta de rumo. Senti desproteção em relação à companhia. Minha presença ali seria inútil caso ele precisasse.
Era uma noite linda. Iluminada também pela lua. Mas da ponte, conseguiamos ver uma orquestra de vaga-lumes. Sintonizados tão brilhantemente que parecia haver uma intenção de hipnose. Era tudo tão simples e contraditoriamente tão encantador. Minha respiração se encontrou e a intensidade variava de acordo com as luzinhas traseiras daqueles bichinhos. A admiração era tal que só mais tarde pude me encontrar num abraço gostoso. Intencionalmente quente. Cordialmente frio.
Não pude dizer nada. Não pude sequer sair dali. Passei meu resto de eternidade naqueles poucos segundos dentro daqueles braços luminosos, iluminados e silenciosos. Qualquer palavra quebraria o encanto que Deus criou e nos presenteou naquela noite. Qualquer reação seria desnecessária. Então eu vivi…
Só pude me recobrar quando eles voaram.
Talvez eles não tenham voado até hoje.

